#ZPDailyReview: Arctic Monkeys – Live At The Royal Albert Hall

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Todo dia um review rápido, uma indicação do que ouvir e o caminho das pedras:

Arctic Monkeys – Live At The Royal Albert Hall (2020)

“Tranquility Base Hotel+Cassino”, último disco de estúdio do Arctic Monkeys causou estranheza em muita gente. A sonoridade algo meio Bowie fase Berlim deixou grande parte do público do grupo inglês perdido pela virada brusca na sonoridade. O fato é que ao vivo o conjunto de Alex Turner soube dosar bem o ar blasé e atmosférico das canções novas com a pauleira indie rock de outrora. Isso fica claro na abertura com a climática “Four Out Of Five”, logo seguida pela esporrenta “Brianstorm” – dobradinha que dá o pontapé inicial deste show. 

Este mesmo show foi apresentado aqui no Brasil no Lollapalooza 2019, com mais ou menos as mesmas músicas tocadas em ordem diferente. Então não é surpresa aos fãs essa relação de ‘morde-assopra’ que é o fio condutor do set dos rapazes.

Sabendo dosar bem estas duas faces de sua sonoridade, os Monkeys passeiam por seu catálogo e apresentam sua evolução musical sem virar as costas a seus hits mais antigos, inclusive o primeiro deles, “I Bet You Look Good On The Dancefloor”. Quem assistiu ao grupo nessa fase, circa 2006, lembra como eles eram energéticos ao vivo. Isso não se perdeu totalmente, mas hoje a banda prefere investir em outros predicados além da energia adolescente.

Nas 20 faixas do show gravado aqui, todos os hits da banda dão as caras, exceto a ótima “Fluorescent Adolescent” – que apesar de estar saturada merecia um registro neste quase greatest-hits-live. Outra que dá pra sentir a ausência é “Teddy Picker”, curiosamente lançada originalmente no mesmo álbum de 2007 que a outra falta.

Embaixo do manto do hype, o Arctic Monkeys é uma banda eficiente. Ao vivo não inova, mas entrega uma execução fiel e bem trabalhada de suas músicas. E o mais importante, faz a diferença além do discurso: toda a renda recolhida por este álbum será revertida à ong War Child UK, que ajuda crianças em situação de vulnerabilidade por conta de guerras pelo mundo. Só por essa atitude, o grupo já merece os 0,001 centavos do seu play no Spotify.

Lançado em digital, CD e LP.