#ZPDailyReview: Goldfinger – Never Look Back

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Todo dia um review rápido, uma indicação do que ouvir e o caminho das pedras:

Goldfinger – Never Look Back (2020)

John Feldmann, a voz e mente que comanda o Goldfinger, é um dos maiores produtores de música jovem que se tem notícia. Trabalhou e produziu alguns dos principais nomes e discos que ficaram populares entre a molecada nos últimos 20 anos, de Hilary Duff a blink-182, passando por Avicii e KoRn, só pra citar alguns bem díspares. Mas quando se trata da sua prórpia banda, apesar das produções de altíssimo nível e do dream-team que formou a seu lado, o cara nunca mais atingiu a popularidade que seus três primeiros discos obtiveram.
Neste novo álbum, anunciado e lançado de surpresa, Feldmann segue atualizando seu som, mantendo as bases punk-pop e ska-punk, mas com uma produção e refrões que tem muito a ver com o mercado de 2020. Não sei se essa conexão com a música pop atual explica o motivo do Goldfinger não emplacar seus discos novos – ao menos em grande escala. Será que são modernos, contemporâneos demais pra quem é fã da banda em sua fase 90’s? Ou talvez Feldmann continua compondo pra um público de 20 anos que hoje na verdade tem 40? Seja como for, o músico/produtor acredita em seu toque de midas e crava logo no título do disco: “Never Look Back”.
Tem muita coisa legal neste álbum, faixas que poderiam estar nos surpracitados primeiros discos, como o ska “California On My Mind” ou o hardcore “Nothing To Me”, duas das mais legais lançadas pelo conjunto nestes últimos tempos. Vale citar também a saideira com “Standing On The Beach”, canção que foge da regra ska-punk e lembra um tanto o que o blink-182 fez naquele disco auto-intitulado.
De toda forma, mesmo com boas composições, o Goldfinger não crava um hit há bastante tempo e a busca pelo pop perfeito talvez tire um pouco da displicência e do charme que clássicos naturalmente grudentos como “Superman” ou “Mable” tinham nos anos 1990.
Acompanhado aqui de um time de estrelas – Mike Herrera no baixo, Travis Barker na bateria, participação de Monique Powell no vocal de uma das faixas, Matt Appleton do Reel Big Fish nos metais, e o retorno do guitarrista Charlie Paulson, um de seus side-kicks em sua época de maior popularidade – o disco não tem nada fora do lugar ou sobrando, é perfeito – talvez até demais, perdendo um pouco de sua energia vital.
Em dias ensolarados como os que vivemos neste fim de ano, “Never Look Back” serve como ótima trilha sonora. É agradável, tem boas canções. Só não é memorável. E ainda não entendo o motivo disso.
Lançado em digital, CD e LP.