#ZPDailyReview – Smashing Pumpkins – CYR

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Todo dia um review rápido, uma indicação do que ouvir e o caminho das pedras:

Smashing Pumpkins – CYR (2020)

O Smashing Pumpkins sempre operou em três instâncias musicais: canções baseadas em riffs pesados de guitarra, baladas épicas e mais recentemente, músicas calçadas em synths. “CYR” é praticamente todo baseado nesta terceira opção.
Conforme os singles do álbum foram saindo os fãs reclamaram (e com razão): “agora que a banda tem três guitarristas, quase não há guitarras no álbum”. Mas o ponto talvez nem seja a ausência de guitarras, mas uma unidade musical muito baseada nos mesmos timbres etéreos de teclado. É claro, “CYR” esconde belas melodias e ótimos refrões embaixo da grossa cama de sintetizadores, Billy Corgan ainda é um dos grandes compositores dos anos 1990 (e 2000) e sabe o que está fazendo, mas aqui mostrou uma proposta bem clara e apostou fundo nela, não dando espaço para outras abordagens musicais – coisa comum em discos passados do conjunto.
Esse tipo de guinada não é novidade, é só lembrarmos do acústico/eletrônico “Adore”, lançado logo depois do grupo ter conquistado o mundo com sua maior obra, o histórico “Mellon Collie & The Infinite Sadness”. Mas os tempos são outros, nem mesmo o prestígio do quarteto é o mesmo, até por conta da expectativa gerada com o fato de ser um disco duplo – e que na verdade tem apenas pouco mais de uma hora de duração. Olhando pra trás, “CYR” dialoga principalmente com a fase “Monuments to an Elegy”, talvez o momento onde Corgan estava mais isolado do mercado e de seu legado.
“CYR” é todo amarrado, inclusive um bloco de cinco faixas é trilha sonora da animação “In Ashes”, também escrita pelo vocalista e compositor. Se você curtir as primeiras faixas, irá seguir tranquilamente pelo disco e provavelmente coloca-lo em repeat. Mas se vai ao álbum esperando algo próximo do que o conjunto fez em seu auge comercial, a decepção é certa. Quase na metade do álbum, “Wyttch” é a primeira e única canção a esboçar certo peso e trazer a bateria de Chamberlain para o primeiro plano. As demais 19 faixas lembram muito mais Depeche Mode do que os riffs Sabbathicos de outrora. No fim das contas, é um álbum difícil na discografia do grupo, apesar de soar pop na maior parte do tempo.
Requentar fórmulas – salvas exceções, como o AC/DC que retornou estes dias com seu excelente mais do mesmo – é a morte para um artista. Os Pumpkins artisticamente caminham por um terreno que está longe do que a maioria dos fãs espera, mas talvez seja este o caminho necessário para buscar relevância pra si, para não se tornarem um grande show flashback, como muitos de sua geração se tornaram. O distanciamento histórico é que irá nos provar se esta aposta foi o caminho certo ou um grande equívoco.
Lançado em CD, LP e digital.