#ZPDailyReview: The Struts – Strange Days

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Todo dia um review rápido, uma indicação do que ouvir e o caminho das pedras:

The Struts – Strange Days (2020)

O The Struts angariou uma quantidade legal de fãs por aqui após seu show no Lollapalooza Brasil de 2019. O hard rock energético do conjunto, aquela coisa meio Queen do começo de carreira com Rolling Stones, pegou o público de calças curtas e chamou a atenção dos mais jovens e alternativos, jogando um holofote no estilo, bem como o The Darkness fez no começo dos anos 2000.
Em seu terceiro disco, o primeiro com a banda gozando de um belo status, o conjunto usa e abusa de sua posição apostando em um trabalho super-produzido – mesmo tendo sido gravado em 10 dias apenas durante a pandemia – e cheio de convidados.
Robbie Williams, Tom Morello, Phil Collen e Joe Elliot do Def Leppard e Albert Hammond Jr. dos Strokes participam do álbum, mas mesmo com tantas credenciais, dá pra afirmar que “Strange Days” não é tão inspirado quanto os dois discos anteriores.
Boas canções recheiam o álbum, mas a intenção pop excessiva acabou por pasteurizar muitas das canções. O cover de “Do You Love Me” do KISS, por exemplo, perde sua ginga rock 70’s e ganha uma versão reta, sem brilho, como se fosse um b-side de alguma banda glam 80s da segunda divisão.
Os momentos mais interessantes de “Strange Days” são quando o grupo se afasta um pouco dos clichês e aposta em novas direções, como em “Am I Talking To The Champagne (Or Talking To You)”, que tem um tom mais moderno, indie até, e um belo acompanhamento de sax. Esse sax esperto também pinta em outros momentos, como em “All Dressed Up (With Nowhere To Go)”, a faixa que mais nos remete aos trabalhos anteriores do conjunto e mantém aquela veia Stones. 
“Strange Days” é um disco de transição. O Struts deixou de ser um hype underground e está virando uma realidade pop mainstream. Vamos ver como vai ser daqui pra frente.
Lançado em CD, LP e digital.