#ZPDailyReview: The Bombers – Bumerangue

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Todo dia um review rápido, uma indicação do que ouvir e o caminho das pedras:

The Bombers – Bumerangue (2020)

Surpreendo por não me manter parado / E se pareço apressado é por ter medo de ser / um alvo fácil e não ser a flecha em disparada / Largo os fracassos pela estrada / E sigo em frente pra ver“.
O primeiro verso da primeira faixa de “Bumerangue” deixa claro o posicionamento do The Bombers. No ano em que completam 25 anos de atividade, ao invés de projetos retrospectivos o conjunto optou por produzir coisa nova. Em meio a lockdowns, pandemia e uma nova geração de fazedores de pão caseiro, enquanto muitos se acomodaram, o quarteto santista seguiu trabalhando. Lives, videos, covers… tudo deixando claro que o barato da banda é produzir música, não apenas operar como um cnpj. Dessa produção saíram as seis canções deste disquinho.
De raízes punk e discos famosos pela pluralidade musical, o conjunto aqui vai direto ao ponto abrindo o EP com três faixas em pt-br, as autorais “Ardendo Em Chamas” e “Que Passou, Passou”, além da versão de “Livre!” do artista santista Bruno Thadeu, todas versando em torno do mesmo tema: a passagem do tempo, a necessidade de seguir, de não viver de passado e olhar pro futuro.
O “lado b” do EP tem mais duas versões, uma de “Clarity Of Mind” do Spy vs. Spy;  e um arranjo acústico para “Poison Heart” dos Ramones – mostrando a capacidade de desconstrução de paradigmas, um dos passatempos favorito do grupo nos últimos tempos.
O EP fecha com “To My Friends”, resgatando suas influências jamaicanas em uma faixa baseada somente no jogo de vozes, grifando a ideia de sempre manter-se operando fora da zona de conforto.
O tempo ocioso forçado por uma quarentena infinita colocou o quarteto pra pensar, sobre sua história, seu futuro e suas escolhas. Assim criaram conceitos, música e deixaram claro que é possível sim uma banda de 25 anos ainda ser relevante, sem ser cópia de si mesma.