#ZPDailyReview: Demolition Doll Rods – Into The Brave

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Todo dia um review rápido, uma indicação do que ouvir e o caminho das pedras:

Demolition Doll Rods – Into The Brave (2020)

No ano 2000, diretamente de Detroit, um trio maluco de garage rock tomou de assalto a cena brasileira. Além de uma tour no Brasil, o grupo teve o disco “TLA” lançado por aqui no ano anterior via Trama, em uma série de licenciamentos da Matador Records. Os shows, selvagens como o estilo pede, trazia os integrantes – homens e mulheres – semi nús e causaram mais frisson que sua música para muitos. Pura bobagem conservadora.
A banda deixou sua marca por aqui e seguiu viagem, lançando discos e excursionando por gente de alto quilate: Cramps, Jon Spencer etc. Em 2007 penduraram as chuteiras e ano passaram resolveram se reunir: a bandleader Margaret Doll Rod (g/v) e seu side-kick Danny Kroha (g/v), e a nova baterista, Shelby Murphy.
O trio voltou ao estúdio e após 14 anos de silêncio soltaram agora este “Into The Brave”, seu novo disco de inéditas.
Em um mundo post-White Stripes, onde a maior parte das pessoas já teve contato mainstream com um som garageiro sem contra-baixo, os Dolls Rods soam mais palatáveis que em outrora. Isso sem mexer uma palha em seu som, é claro.
Rock selvagem, crú, de bateria simples e riffs cheios de distorção dão o tom da coisa, mas há espaço para exceções, como a balada “Smokin’ Hot Hair Day” bem no meio do disco, a melancólica “I Wanna Go”, ou o wah-wah em destaque de “Sweet Leash”, ou mesmo a guitarra/levada hipnótica da saideira “Hypnotized Chicken”, onde inclusive imitam a tal galinha do título. Pontos fora da curva que dão um respiro em meio ao proto-punk/garage rock que pauta a maior parte das canções.
Mesmo sem novidades musicais pro estilo, apenas reproduzindo o que fizeram outrora, o retorno dos Doll Rods ainda soa bem, ainda mais em tempos tão conservadores no comportamento e na musicalidade. Que voltem logo por estes lados pra darem um novo chacoalhão nas coisas, ou ao menos para colocar a turma pra dançar.
Lançado em LP e nas redes digitais.