#ZPDailyReview: Bob Mould – Blue Hearts

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Todo dia um review rápido, uma indicação do que ouvir e o caminho das pedras:

Bob Mould – Blue Hearts (2020)

Se este review pudesse ter apenas uma frase, ela seria: “‘Blue Hearts’ é o trabalho solo de Bob Mould que mais dialoga com os discos clássicos do Sugar e Hüsker Dü”.
Nos últimos anos Mould vem acertando em seus discos solos, com destaque para “Silver Age” de 2012, que inaugurou essa boa fase. Seu penúltimo trabalho “Sunshine Rock” (2019), é um disco pra cima, alegre. Já “Blue Hearts” – a começar pelo título – é o oposto. Raivoso e pesaroso, Mould solta seus bichos contra as mazelas americanas e do mundo. Governos, religião, sociedade, clima, sobra para todos os lados.
Esse clima dá o tom pesado do disco, não apenas nas palavras mas também nos acordes. Após a introdução acústica de “Heart On My Sleeve”, tome-lhe canções nervosas, de riffs encorpados e inclinação ao punk e ao alt.rock. “New Generation”, faixa seguinte não ficaria deslocada no “Copper Blue”, assim como “American Crisis” – terceira música do disco e um de seus singles, caberia em um “Zen Arcade”, por exemplo.
Apesar de resgatar sonoridades de outrora, Mould não se repete. “Blue Hearts” é um disco totalmente 2020, nos temas e no som. É o músico fazendo seu melhor: aquela alquimia entre o pop perfeito e o rock simples. Certeiro como poucos, segue relevante e em ótima forma.
Lançado em CD, LP e plataformas digitais.