#ZPDailyReview: Cowboy Junkies – Ghosts

Gosta do trabalho do ZonaPunk?
Então se torne um apoiador e ajude-nos a manter o site ativo: https://apoia.se/zonapunk

Todo dia um review rápido, uma indicação do que ouvir e o caminho das pedras:

Cowboy Junkies – Ghosts (2020)
por Paulo Ricardo Schwinn

A Cowboy Junkies é uma banda canadense formada em 1985 pelos irmãos (e irmã) Timmins (Michael, composições e guitarra; Peter, bateria: e Margo, voz;) além do amigo de adolescência Alan Anton, baixista. Desde 1986, quando lançaram Whites Off Earth Now, foram 18 discos de estúdio, 5 ao vivo e 7 compilações de raridades. O estilo do grupo varia entre o rock alternativo, o hoje chamado ‘Alternative Country’ (feito por Wilco, Drive By Truckers, dentre outros), o folk e o blues.
Sobre Ghosts, lançado em 2020, podemos dizer que é o CJ de sempre, só que um pouco mais triste: as composições de Michael Timmins relatam o luto dele, de Margo e Peter, que perderam a mãe, Bárbara, pouco tempo após o lançamento de All That Reckoning (2018). A capa já mostra um pouco desse sentimento: uma bela foto de um amanhecer com poucas nuvens e um mar quase rosa, com uma nuvem mais escura em cima, que insiste em atrapalhar tudo.
Desire Lines inicia o disco de forma lenta mas contundente, com instrumental forte e coeso e Margo cantando docemente sobre perda e recomeço (‘Let’s start again, Let’s start again’). Breathing vem a seguir, ainda mais melancólica e com efeitos (e teclados) que procuram construir uma atmosfera de sonho. No mesmo clima surge, após tímidos barulhinhos da guitarra de Michael, Grace Descends, com o baixo de Alan Anton se destacando. (You Don’t Get To) Do It Again é mais dinâmica, quase ‘pra cima’, com as guitarras à frente. The Possessed fala do mal, sim, do diabo, tema comum no blues, e cantada (como sempre) com doçura por Margo (I found the devil / Disguised as water / Clean as my desire / I cupped my hands / He gathered and said / You are mine / You are mine). Misery é um country rock como o Cowboy Junkies fazia nos primeiros discos: melodiosa, pra cantar junto, de tão bela que é. This Dog Barks, balada melancólica que ganha muita força no refrão, outra característica marcante dessa incrível banda que, infelizmente, é pouco conhecida no Brasil. Ornette Coleman fecha o álbum de forma mais leve e é uma homenagem ao saxofonista e compositor de jazz, nascido em Manhattan e falecido em 2015, com um sax dissonante como solo, trazendo variações aos arranjos desse grupo canadense que encanta aos ouvintes da boa música há 35 anos.
Álbum disponível apenas nas redes digitais.