#ZPDailyReview: Napalm Death – Throes Of Joy In The Jaws Of Defeatism

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Todo dia um review rápido, uma indicação do que ouvir e o caminho das pedras:

Napalm Death – Throes Of Joy In The Jaws Of Defeatism (2020)
por Homero Pivotto Jr.

O Napalm Death é uma banda extrema. E esse é o rótulo que melhor cabe ao grupo neste momento. Tido como pais do grindcore e com fases que variam do death ao flerte com o lado alternativo do rock, os caras seguem desafiando quem busca rotulá-los. “Throes of Joy in the Jaws of Defeatism”, lançado nesta sexta-feira (18/9), reforça tal percepção. A brutalidade característica está lá, intacta. E, neste trabalho, é reforçada não apenas com velocidade, mas mais ainda pela intensidade e veracidade que as composições transmitem.

Como meta-referências na própria discografia do ND, poderíamos pensar, de maneira simplista, em trabalhos como os mal compreendidos “Fear, Emptiness, Despair” (1994), “Diatribes” (1996) e o reencontro com o lado old school “Enemy of the Music Business” (2000). Some-se aí o gosto por sonoridades menos ortodoxas — tipo Swans, Sonic Youth e Cardiacs —, que os ingleses nunca esconderam, e algo de post-punk.

Foram três singles antes do lançamento oficial do novo disco: ‘Backlash Just Because’, ‘Amoral’ e ‘A Bellyful of Salt and Spleen’. Esses dois últimos — o primeiro lembrando o que o Napalm fez na segunda metade dos 1990, algo à la Killing Joke, e o segundo um amontado sonoro de dar orgulho aos Einstürzende Neubauten da vida — já indicavam que a banda de Birminghan estava disposta a perturbar puristas. E a enganar aqueles que achavam que eles se afastariam demais das suas raízes. ‘Fuck the Fact’, faixa que abre o trampo mais recente, arranca na aceleração, com direito a blast beat e aos tradicionais backing vocals do hoje afastado guitarrista Mitch Harris. Aliás, merece destaque a versatilidade do baterista Danny Herrera no disco. Quanto a Mitch, que está há alguns anos sem bater ponto oficialmente na máquina de barulho que é o Napalm, não fica claro qual foi a contribuição dada. Em algumas resenhas, consta que ele gravou as guitarras. Em outros materiais, que participou das composições e deu o ar da graça em partes do registro. De certo, por ora, é que o cara marca presença no disco dando uns gritos e reforçando o legado que ajudou a construir.

‘That Curse of Being in Thrall’ é outra das até então inéditas que vai por um caminho mais tradicional, evidenciando a verve hardcore, mas sem soar óbvia. ‘Contagion’ chega na sequência indo na levada de sua predecessora, com variação mais intensa. ‘Joie De Ne Pas Vivre’ apresenta tendência experimental, com camadas de barulho e Mark Barney Greenway surpreendendo em vocais de métrica criativa e que remetem ao black metal. ‘Invigorating Clutch’ perde pressa, mas ganha intensidade. ‘Zero Gravitas Chamber’ traz à tona novamente a pegada death metal. ‘Fluxing of the Muscle’, ‘Throes of Joy in the Jaws of Defeatism’ e ‘Acting in Gouged Faith’ dão seguimento ao abate sonoro com passagens core/metal trabalhadas na impetuosidade.

Na versão das plataformas de streaming, há alguns bônus: a autoral ‘Feral Carve-Up’ e as releituras’ White Kross’ (Sonic Youth) e ‘Blissful Myth’ (Rudimentary Peni).

O que se ouve em “Throes…” é o velho Napalm buscando referências que sempre estiveram em suas músicas para se renovar sem perder a identidade. E nos trazendo rompantes de alegria em meio a tempos de desalento.

O álbum saiu em LP, streaming e CD. Neste último formato, também em versão nacional via Voice Music, Rock Brigade e Xaninho Discos.