#ZPDailyReview: Marilyn Manson – We Are Chaos

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Todo dia um review rápido, uma indicação do que ouvir e o caminho das pedras:

Marilyn Manson – We Are Chaos (2020)

Com novo produtor a bordo – Shooter Jennings, especializado em country music – imaginava-se uma guinada musical neste novo disco de Marilyn Manson, ainda mais depois do ótimo cover de Johnny Cash (“God’s Gonna Cut You Down”) lançado como single no ano passado. Mas que nada. Manson lançou mais um disco de rock industrial, cheio de refrões pop e atmosfera gótica, mas com pouca coisa realmente marcante para coloca-lo de volta no local de destaque de outrora.
“We Are Chaos” não é ruim, muito pelo contrário, tem boas canções, composições realmente bem feitas. A faixa título, por exemplo, tem um refrão de ouro, grudento: “We are sick, fucked up and complicated / We are chaos, we can’t be cured”. Outro momento, “Perfume”, é pop do jeito certo e poderia estar na MTV caso ainda estivéssemos no começo dos anos 2000. Destaque também para “Half-Way & One Step Forward”, faixa que te conecta diretamente a fase “Vision Thing” do Sisters Of Mercy. Ah, e todo o trabalho de teclados e pianos do disco estão acima da média, Manson nunca usou tão bem o instrumento em seus trabalhos anteriores. Mas tudo isso ainda é pouco para recuperar a relevância artística da época em que Manson era o Anticristo Superstar ou o Omega.
Talvez ele nem queira recuperar essa posição, e tudo bem também. Nesse caso “We Are Chaos” atende bem ao fã. Mantém a linearidade dos trabalhos, apesar das mudanças de produção e de integrantes ficar bem clara no resultado final – jamais uma canção como “Paint You With My Love” – que tem sutis toques de música tradicional americana – seria gravada com outro produtor.
Brian Warner ainda respira, mesmo na zona de conforto. Segue ganhando o jogo, mesmo com placar apertado.
Lançado em CD, LP e em todas as redes digitais.