Entrevista Exclusiva: The Velvicks fala sobre seu EP de estréia e mercado fora do Brasil

foto por Guerin Blask

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Em meio à pandemia e ao isolamento social provocado pelo coronavírus, o The Velvicks decidiu lançar seu EP de estreia, com uma sonoridade crua e garageira e cheio de influências dos anos 70 aos 90 e ainda conversou com o ZP sobre os próximos planos do grupo. Confira a entrevista por Naty Monteiro.

A primeira coisa que me chamou atenção foi que vocês já se recusaram trabalhar com algumas gravadoras. O The Velvicks pretende permanecer dessa forma, como uma banda independente? Por quê?
Estamos abertos para expandir nossos negócios, haha! Mas, neste caso específico, não acho que gravadoras pudessem injetar a quantidade de energia necessária para empurrar a banda para corresponder ao impulso que estávamos fazendo do nosso lado. É nosso primeiro álbum, não temos história, portanto, não há barganha para negociar com uma gravadora. Acreditamos que podemos gerar um buzz com esse primeiro álbum e ver para onde vai a partir daí antes de começarmos a possuir apenas 50% dos nossos masters. Teríamos viajado extensivamente pela América do Norte e do Sul em 2020. Nosso plano de dominação mundial (rs) iria muito mais longe se não fosse pela Covid-19.

O EP de estreia de vocês, Run, foi gravado em meio à pandemia e à distância. O que acharam de gravar dessa forma? Mais músicas assim estão por vir?
Run foi lançado no meio de uma pandemia, mas as músicas foram gravadas anteriormente, exceto para “LDNYC”. Foi a primeira vez que a banda trabalhou remotamente e só o fizemos porque não tínhamos outra opção. Para ser completamente honesto com você, foi surpreendentemente produtivo e rápido alcançar o som que procurávamos como banda. Acho que trabalhar em uma música individualmente e sem feedback instantâneo uns dos outros junto com a incapacidade de fazer edições rápidas nos permitiu gastar tempo com os arranjos e digerí-los antes de emitir qualquer opinião. Foi uma experiência muito positiva. E até agora temos 5 novas músicas gravadas remotamente, incluindo nossa primeira música cover, que é mais uma versão.

Como vocês enxergam o cenário pós-pandemia para bandas e produtoras? Acha que algo vai mudar, se renovar ou melhorar?
A indústria é obrigada a se adaptar. As pessoas ainda estão aprendendo os meandros de como continuar a impulsionar suas carreiras durante este tempo. O licenciamento, a publicação e a colocação de músicas estão crescendo, já que mais conteúdo está sendo criado, pois a receita desse segmento da indústria está crescendo. A produção musical também está aumentando, sem falar na transmissão ao vivo. As pessoas estão aprendendo a lucrar com as novas mídias disponíveis.
Todo artista agora precisa estar o mais informado possível e usar essa informação para surfar qualquer onda que achar mais adequada ao que faz e incorporá-la à sua rotina. O maior corte foi, sem dúvida, para uma performance ao vivo. Tocar ao vivo levará mais tempo para se recuperar.

Quando a pandemia acabar, qual o primeiro país que vocês gostariam de fazer uma turnê?
Durante esse tempo, temos recebido muito amor do Reino Unido e do Brasil. Ambos estão definitivamente em nossa lista de desejos, então vamos trabalhar mais para adicionar esses dois mercados à nossa agenda de turnês assim que o mundo se abrir novamente.

O vocalista Vick Nader é brasileiro. Vocês já pensaram em mudar pra cá por um tempo? Vocês acham que existe um bom espaço para a música de vocês aqui?
Estou pensando em passar algum tempo aí, mas não acho que seria capaz de me estabelecer no Brasil agora. Vários fatores limitam o alcance do artista no Brasil hoje, desde barreiras fiscais e legislativas até o consumo de música original. O Brasil é um mercado único e relativamente jovem. Para o nosso tipo de música, eu nos vejo mais fazendo uma grande turnê do que como uma banda local. Mas nunca sabemos o que o futuro nos reserva.

Por último, com quais bandas vocês têm vontade de dividir o palco e por quê?
Essa é difícil. Mas, pessoalmente e não em nome da banda, eu adoraria dividir o palco com QOTSA. O desert rock deles realmente faz com que eu me identifique com aquele rock n’ roll baixo, realista e direto que eles tocam. Acho que a gente seria capaz de adicionar um pouco de tempero em uma turnê conjunta hahahaha!