#ZPDailyReview: Escöria – Veias Abertas

Gosta do trabalho do ZonaPunk?
Então se torne um apoiador e ajude-nos a manter o site ativo: https://apoia.se/zonapunk

Todo dia um review rápido, uma indicação do que ouvir e o caminho das pedras:

Escöria – Veias Abertas (2020)

Por Homero Pivotto Jr.: É pelos portos que entra e sai parte da produção capaz de fazer do sistema financeiro vigente um grande navio desgovernado. Por um cais passa toda a sorte de pessoas e de bens de consumo. É um canal que não se fecha, um mar de possibilidades no limite entre água e concreto.
Nesse cenário é que a Escöria tem atracado seu hardcore crust há cerca de 25 anos. Formado na portuária Rio Grande (RS), o quarteto faz um som ancorado na postura urgente do punk.
Em seu mais recente álbum, “Veias Abertas” (2020), o grupo lança-se contra a corrente em meio a tempestade do cotidiano atual. O título do disco pega emprestado trecho do nome da clássica obra de Eduardo Galeano, “As Veias Abertas da América Latina”. Segundo o guitarrista e vocalista Marcelo Domingues, a inspiração foi mais para batizar o registro. Mas há ali outras similaridades. Se o escritor uruguaio analisou a exploração e a dominação dos territórios latinos, a Escöria também vai na onda do tom crítico sobre os acontecimentos que envolvem países da faixa de terra mencionada.
‘Dizimação’ abre o play com gritos indígenas que logo são sobrepostos por um riff de palhetada nervosa à lá Disfear. ‘Não Aguento Mais’ dá sequência com pegada d-beat. ‘Olhares Afiados’ começa em um discurso/poema com temática de gênero sobre base instrumental mais lenta que em seguida acelera em clima crust escandinavo. ‘Lágrimas de Medo’ também é veloz, mas com aura soturna. ‘Principio do Caos’ garante guitarras cortantes e reserva até espaço para pequeno experimento punk jazzy. ‘Desequilíbrio Ambiental’ ganha força na linha sonora simples e envolvente guiada pela guitarra. ‘Avanço Amargo’ é outro faixa que lembra nomes modernos do crust, seja dos EUA (como o Tragedy) ou europeus (Victims, por exemplo). ‘Você é Perfeite’ inicia com bateria percussiva acompanhada pelo baixo preparando para o HC de bater jaqueta no chão que completa a faixa. ‘Lado a Lado’ encerra o petardo com direito a mais elementos que flertam entre o crust e o death metal melódico — sempre com veia punk.
A produção é clara, mas sem deixar perder a crueza que o trampo merece, destacando os vocais fortes (numa pilha Anthony ‘Wolf’ Rezhawk — Resistant Culture/ex-Terrorizer). Os graves bem marcados do baixo e as batidas tupa-tupa soam no volume adequado para não afundar o trabalho em exageros que possam comprometer a audição.
Se você curte navegar por sonoridades extremas e engajadas, a barca é das boas.
Ouça via Bandcamp, YouTube e Spotify: