#ZPDailyReview: Ira! – Ira

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Todo dia um review rápido, uma indicação do que ouvir e o caminho das pedras:

Ira! – Ira (2020)

Por Paulo Ricardo Schwinn: Enfim, 6 anos após Nasi e Edgard Scandurra se reaproximarem e voltarem a tocar juntos, o Ira!, uma das grandes bandas do rock brasileiro de todos os tempos, lança seu primeiro álbum de inéditas, 13 anos após o ótimo Invisível DJ (2007). E é um disco maravilhoso, com canções pungentes, melodiosas, avassaladoras, que falam de amor, amizade, solidão e até sobre o isolamento social, sendo atualíssimo e necessário.
Aqui, Nasi e Edgard contam com o fiel escudeiro Johnny Boy (baixo) e Evaristo Pádua (bateria) que fazem parte da formação do grupo desde o retorno, em 2014. O resultado sonoramente não deve nada ao IRA! original.
Canções como O Amor Também Faz Errar começam com aquela sonoridade inconfundível da guitarra de Scandurra, com uma letra que fala sobre o que o Amor é capaz de fazer: acertar, errar e sonhar. E termina de forma grandiosa, esperançosa, o que é muito na era de incerteza em que vivemos. Destaque também para a parceria com Virginie, vocalista da banda Metrô, em
Efeito Dominó. Uma balada matadora, cantada em português por Nasi, com vocais de Scandurra, e em francês por Virginie.
Mulheres Á Frente da Tropa é outro momento de destaque. Um hino feminista para ser cantado a plenos pulmões por mulheres e homens, juntos.
Chuto Pedras e Assobio transforma imagens comuns de um cotidiano solitário em poesia e música, com violões e guitarras emoldurando essa bela paisagem sonora.
A Nossa Amizade fala do amor que é uma grande amizade em mais uma belíssima letra: ‘Há alguns metros de distância, agora é assim’. Mais atual impossível. Você Me Toca e Respostas são roqueiras até o talo, uma mistura de hard com indie, que as transformaram em potenciais futuros hinos Rock n’ Roll.
Você Me Toca é outra que tem referências ao passado grandioso do Ira na sonoridade, com uma excelente pegada roqueira.
Eu Desconfio de mim é mais tranquila, mas não tanto, que fala de um cara generoso, que não sabe dizer não.
O Homem Cordial Morreu é outra bela letra autocrítica de Scandurra, de belo instrumental roqueiro completando um grande disco dessa nova encarnação do Ira.
Que bom que uma banda tão fundamental como o Ira! resolveu suas diferenças e, a partir do núcleo original (Scandurra e Nasi) se materializou de novo fazendo um disco que pode colocá-los de volta, e ao rock brasileiro de qualidade, no papel de destaque que sempre mereceram!

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