O espírito DYI do Explain Away difundido através de canções

Foto por Fabio Margutti

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O trio Explain Away usa a música e a arte como mecanismo de expressão, reflexão e de alívio intelectual e emocional, demonstrando esse turbilhão de sentimentos através de suas canções. Uma banda que leva de forma verdadeira o espírito do DYI, cantando sobre a busca pela liberdade e identidade, e que busca de forma criativa e inovadora maneiras de passar isso ao seus ouvintes.

O grupo que foi formado em 2014 por Eduardo Sabaté (voz e guitarra), Italo Moraes (voz e baixo) e André Prates (bateria), mistura punk, grunge e alternativo dos anos 90 com uma pegada própria e visceral. Letras realistas e reflexivas sobre as consequências do nada fácil cotidiano das grandes cidades e saúde mental, com um instrumental agressivo que correspondem aos temas tratados.

Conversamos com a banda sobre os seus últimos lançamentos, influências artísticas, política, cena undergroun de São Paulo e outras curiosidades. Confira.

Vocês relançaram recentemente o disco “Collective Loneliness” e o single “Cause We”, como foi o processo de composição e de gravação? E porque deram esse nome para o disco e single?
Muito importante para a banda ter seu material DIY, independente, dentro de um catálogo de um selo respeitado como a Electric Funeral Records. Nosso primeiro disco, o Collective Loneliness, iniciou-se com 3 músicas que o Edu tinha composto antes da formação da banda em 2014, e foi trazendo mais riffs e melodias que fazia em casa para as jams dos ensaios. Foram tomando forma junto com novas músicas e ideias que foram surgindo ao longo dos ensaios e testadas em shows e em gravações demos até termos o material para pré-produção e refinamento das letras e detalhes para a gravação no Estúdio Aurora com nosso produtor, Billy Comodoro, que nos ajudou a lapidar tecnicamente o resultado do primeiro trabalho oficial da banda. Foram 4 dias intensos de gravação, e fizemos algumas sessões pesadas de pré-produção e ensaios individuais antes para garantir toda intensidade que queríamos passar no disco. Muitos testes em todos os instrumentos para chegarmos num timbre nosso, com muita experiência legal de captação, juntar bumbo de bateria dos anos 70 original com caixa dos anos 90, amplificadores vintage, clássicos e mais modernos, combinações de pedais, microfones diferentes para a voz, entre outras ferramentas bem interessantes. E como um primeiro trabalho, ficamos muito orgulhosos do material, fora o aprendizado para os próximos. O nome do disco veio de um trecho escrito na letra da música Each Day, e que pareceu resumir o que estava sendo escrito na história contada ao longo das canções na ordem que planejamos e ainda reflete bem nosso momento atual como humanidade.
‘Cause We, quase entrou no Collective Loneliness, mas por dois motivos ficou de fora. Não estava madura o suficiente pra época, e convenhamos, não casa com a proposta mais visceral do disco, ela tinha que ser tratada a parte, com outro olhar e processo de gravação. Experimentamos trazer outros instrumentos como Synths e Teclados em alguns trechos, guitarras mais puras, sem distorções, explorando linhas de baixo mais criativas e mais preenchimento junto com a bateria, outra abordagem de letras com temas mais positivos (a letra fala sobre companheirismo, honrar alguém que você preze e estar junto pro que der e vier, por isso o nome da música sintetiza o que o refrão sugere logo de início) e isso fez com que, nós, como um trio, começássemos a perceber onde nossa música pode chegar.

As músicas do Explain Away falam sobre quais temas?
Abordamos desde a procura por uma felicidade material que é imposta pela sociedade e as questões filosóficas e existenciais disto na faixa homônima que abre o disco, passando pelo medo do futuro e insônia em Poor Old Me. Esteriótipos tóxicos e desnecessários para a civilização em Pretty Useless e Leper Love.
Reflexão de como não aprendemos nada com os erros do passado em Each Day. Perda do controle emocional e a angústia de não poder administrar as consequências sociais em Lack. O desespero consciente e a impotência de sofrer um ataque de pânico em Divided By Zero. Aprender a lidar com perdas grandes e irreversíveis em Empty Colors. E retratar um inimigo em comum sabendo que você não está sozinho nessa briga em End of the Line. E como sempre fazer o bem para o próximo em ‘Cause We
.

Existem outras fontes artísticas sem ser a música no qual vocês se inspiraram ou usaram como referência para compor as músicas desse material?
Somos muito observadores a respeito do nosso redor e sempre nos indagamos em nossos papos internos sobre temas que podem ser abordados. Desde algum livro, artigo, notícia, ou situação que vivenciamos. Vamos de Charles Bukowski até Carl Sagan, passando por Friedrich Nietzsche até George Orwell com uma pitadinha de Charles Darwin.

O que acham da cena política atual? Como a política pode influenciar na música e especialmente no som da banda?
Cada dia fica mais surreal e sufocante ver o Brasil e o mundo voltando pra idade das trevas. Difícil explicar em livros de história daqui pra frente o que tem acontecido nos últimos anos. A música e a arte inevitavelmente são impactadas de uma forma ou de outra, seja como mecanismo de expressão e reflexão ou como alívio intelectual e emocional das épocas tortuosas dos nossos tempos. Com certeza isso já está tendo um impacto nas nossas abordagens das novas músicas e letras.

Qual a faixa lançada por vocês que mais cativou a banda?
‘Cause We tem um espaço reservado no nosso coração por todo processo e carinho que conseguimos aplicar nesta faixa. Desde a produção, gravação, inserção de novos elementos, desafio de escrever uma letra diferente do que havíamos escrito no tema do último disco e claro, o clipe que vai de encontro com a proposta e maximiza ainda mais a mensagem e atmosfera da melodia.

Vocês acham que o feedback do público foi positivo?
Muito positivo, além do que estávamos esperando. Uma surpresa grandiosa para nós, como banda, ver tantas pessoas que se engajaram na causa da música, letra e clipe.

Podemos esperar um full length em um futuro próximo?
Estamos com um bom material em stand by, aguardando o fim da pandemia, para ser gravado e lançado. Podem sim!

Qual a visão do Explain Away sobre a cena underground de São Paulo?
Tem tanta banda legal, tanto lugar excelente e muita gente boa que acabamos conhecendo nos shows, que se tornaram nossas segundas casas e nossos amigos do coração. A gente esperam que essa fase ruim da pandemia passe logo porque estamos loucos pra tocar, loucos pra ouvir a guitarra no talo, baixo e bumbo no peito. Esperamos também que depois disso tudo as pessoas queiram ir mais nos shows em geral, pra conversar, beber e claro, se abraçar MUITO!

Você poderia destacar algumas bandas interessantes da sua cena local?
Angular, Dum Brothers, EDC, Mocho Diablo, Blocked Bones, Combover, Comodoro, Running Like Lions, Aparelho, Rebel Jeans, The Gap Year.

Quais os próximos planos e passos da banda?
Assim que passarmos todos por essa pandemia, iremos retomar o processo de composição e gravação do nosso próximo disco e iniciarmos uma bela tour pra lavar a alma. Nossa meta é expandir nosso público não só aqui no Brasil, como em outros países.

Confira o último trabalho da banda, “Cause We”:
https://bit.ly/2U5fMf0
https://spoti.fi/3cXR3C8