Entrevista Exclusiva: Editors fala sobre sua coletânea retrospectiva

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O Editors tem boa reputação por estes lados. Com sua sonoridade que passeia pelo indie rock e pelo post-punk, o conjunto inglês tem uma discografia coesa e com alguns hits que cairam no gosto de djs da noite alternativa, como “Papillon”, “Munich” e “Smokers Outside The Hospital Doors”. Na Europa a banda goza de ainda maior prestigio, toca com destaque em diversos festivais de verão e recentemente lançou uma coletânea retrospectiva intitulada “Black Gold: Best Of Editors”. Para falar deste lançamento batemos um papo com Ed Lay, baterista do conjunto, por e-mail.

Wladimyr Cruz – O mais recente lançamentos do Editors foi a coletânea “Black Gold”. O grupo está a caminho de duas décadas de existência e pela primeira vez faz essa retrospectiva. Existe um sentimento de fechamento de ciclo? Ou a coletânea foi uma questão mais contratual/comercial?
Chegamos a um ponto em que tínhamos três álbuns com a formação original com Chris Urbanowicz na guitarra e três com o atual (com Justin e Elliott), então parecia um momento equilibrado para olhar para trás e ter uma rara celebração do que nossa carreira nos trouxe.

Revisitando sua discografia para construir essa compilação, ou mesmo para montar os set-lists, a banda encontra coisas que poderiam ser re-feitas ou melhoradas? Dez anos depois de se fazer algo, é natural que haja uma outra visão sobre as decisões passadas, não?
Ah, cara, há alguns momentos em que todos gostaríamos de ter outra chance, tenho certeza, mas parte do processo de gravação é saber quando parar de mexer e apreciar a música como um momento no tempo. Foi uma explosão de alegria revisitar algumas das músicas do nosso passado e trazer de volta as memórias associadas à música.

No álbum a banda também olha pra frente, lança três faixas novas. Estas músicas são um indicativo do que vem por ai? Já existe trabalho da banda para um novo álbum de estúdio? O Editors é uma banda com uma produção bem constante nesse sentido.
Estamos apenas aproveitando a retrospectiva no momento sem pensar muito no futuro. A turnê foi incrível, e infelizmente parou por causa do isolamento em que nos encontramos para diminuir o efeito do COVID 19, então talvez nossas cabeças se voltem para material novo mais cedo do que pensávamos?

Na versão deluxe deste álbum há versões acústicas de algumas faixas, versões que inclusive dão uma luz sobre a beleza das melodias destas canções. No processo de composição do Editors, a melodia, a canção, nasce em uma base acústica assim ou já diretamente com o elétrico/eletrônico como base? É uma preocupação que a música tenha essa possibilidade de ser desconstruída?
Tradicionalmente as músicas dos Editors vêm de um começo acústico, por isso parece natural retornar a essa vibe para algumas de nossas músicas. Estou especialmente impressionado com a nova versão acústica de ‘Walk the Fleet Road’, pois realmente destaca a graça dessa faixa específica do álbum.

Para duas das faixas inéditas do álbum o grupo fez video-clipes super bem produzidos (Frankenstein and Black Gold), e essa sempre pareceu ser uma preocupação do editors, de fazer bons video-clipes para seus singles. Vocês são de uma geração que cresceu com a força do video-clipe via MTV e viram o nascer e explosão do YouTube e de todos estes novos formatos. Quanto o video é importante comercialmente hoje em dia, e quanto vocês o enxergam como um complemento artistíco da música?
Eu amo especialmente o vídeo de Frankenstein, é um conceito maluco feito com muito humor e vibração que realmente se encaixa na faixa. Basicamente, deixamos os diretores de vídeo assumirem o cargo – se eles tiverem inspiração para uma música em particular, sinto fortemente que eles devem ter controle total para transmitir sua ideia e criar sua própria obra de arte para acompanhar a nossa.

Falamos bastante da banda em estúdio, mas agora sobre o Editors ao vivo. Quando teremos a banda no Brasil? Já houveram contatos ou sondagens sobre isso?
Não temos planos imediatos de ir até ai, e infelizmente isso foi agravado pelos recentes problemas mundiais. No entanto, nós como banda realmente desejamos ir e tocar no Brasil junto com outros países da América do Sul e sempre tentaremos procurar a oportunidade certa para fazê-lo. Nós sentimos o amor de vocês, com certeza!

Ao tocar em um país como o Brasil, onde a banda nunca visitou antes, é natural que se faça um setlist especial para a ocasião, privilegiando todos os hits do grupo. Alguma dessas músicas já são inconvenientes de tocar? Alguma que a banda não tenha mais a mesma empolgação em executar ao vivo?
Acabamos de fazer uma turnê de ‘best of’, então não é surpresa que já tenhamos um setlist que cubra toda a nossa carreira e que todas as grandes músicas estejam obviamente bem representadas. Algumas músicas foram tocadas em praticamente todos os shows que já tocamos, e você pode pensar que estamos cansados delas (nós estamos!) Mas elas costumam se tornar nossa música favorita novamente, porque a reação da multidão faz com que ela pareça ótima novamente.

E por fim, naturalmente a coletânea “Black Gold” seria a opção óbvia para novos fãs conhecerem a produção do Editors – mas se pudessem escolher um disco de estúdio para que este fosse o primeiro álbum para um novo ouvinte conhecer o trabalho do grupo, sugeriria ele começar por qual disco e por qual motivo?
Eu provavelmente escolheria o “An End has a Start”, pois há momentos de escuridão e auto-questionamento, mas esse disco é sonoramente e emocionalmente GRANDE!