Review: “The New Abnormal”, o novo disco do The Strokes

Gosta do trabalho do ZonaPunk?
Então se torne um apoiador e ajude-nos a manter o site ativo: https://apoia.se/zonapunk

por Paulo Ricardo Schwinn:

Enfim, os Strokes voltam com novo álbum, 7 anos após o fraco Comedown Machine (2013) e 4 após o EP Future Present Past (2016), que passou praticamente despercebido. The New Abnormal é a primeira colaboração do grupo nova-iorquino com o aclamado produtor americano Rick Rubin, que já trabalhou com artistas de vários estilos do rock e do pop como Red Hot Chilli Peppers, System Of a Down, Beastie Boys e Johnny Cash, dentre outros. O lançamento marca também a volta da banda à gravadora RCA, depois de lançarem o citado EP por um selo pequeno, o Cult Records, de propriedade do vocalista Julian Casablancas, que também é responsável por esse disco. A capa é uma belíssima pintura de 1981, chamada Bird On Money, do artista Jean-Michel Basquiat (falecido em 1988).

The New Abnormal é uma tentativa dos já veteranos dos Strokes, que em 2020 completam 20 anos de carreira, em voltar às origens. O grupo tenta recuperar o que eles alcançaram principalmente ao lançarem os dois primeiros álbuns, Is This It (2001) e Room On Fire (2003), quando chegaram a ser chamados de ‘salvadores do rock’ pela imprensa mundial. Mas ainda não foi desta vez que conseguiram. Com certeza é um disco muito superior ao já citado Comedown Machine, um pastiche de tecnopop anos 80, e chega perto de Angles (2011), outra tentativa de retorno ao início. Mas patina em alguns momentos, justamente quando os teclados vêm mais à tona.

The Adults Are Talking é um bom começo para o álbum. Traz o estilo Strokeano intacto: as guitarras de Nick Valensi e Albert Hammond Jr. mais suaves, com bons riffs, o baixo marcante de Nikolai Fraiture, e a bateria de Fabrizio Moretti seca, direta e sem muitas firulas. O vocal de Casablancas equilibra bem graves e agudos, sem exageros. Selfless vem a seguir, já com Julian carregando nos agudos, o que tira um pouco o brilho da canção, o que não acontece totalmente pelas guitarras, o melhor da faixa. Brooklyn Bridge To Chorus, apesar dos tecladinhos de churrascaria, é interessante pela melodia mais pra cima, nesses tempos difíceis. Bad Decisions é outro bom momento do disco. Talvez a canção mais comercial dele, além do hilário videoclipe, e traz um citação de Dancing With Myself, do Generation X, no refrão. Só por
isso, Billy Idol e Tony James entram como parceiros dos Strokes nessa música. O mesmo acontece com a longa e pouco interessante Eternal Summer, em que os Strokes dão a parceria a Richard e Tymothy Butler, integrantes do Psychedelic Furs, que lançou a canção The Ghost In You em 1984, e da qual Julian Casablancas tirou a linha vocal do refrão para escrever parte da letra. Já At The Door, apesar do soturno videoclipe feito todo em animação, é decepcionante, não decola, infelizmente. Why Are Sunday’s so Depressing é bem mais interessante. As guitarras brilham, felizes, apesar do clima meio deprê da faixa, que fala sobre o vazio que a perda de um amor causa em alguém. Not The Same Anymore vai na mesma linha e mostra uma boa performance vocal de Julian e o estilo Strokeano intacto mais uma vez. Pra encerrar, Ode To The Mets, melancólica e introspectiva canção para encerrar esse audível álbum que vai disputar com Angles o quarto lugar na discografia de 6 álbuns do grupo de New York.