Review e fotos: New Model Army comemora 40 anos de carreira em Barcelona

Banda britânica ofereceu duas horas de apresentação, incluindo os clássicos e músicas do recém lançado From Here, um setlist à altura do acontecimento.

Fotos & Texto por Maurício Melo

A data havia sido anunciada há meses, o que gerou certa expectativa local, não foi difícil ver em diferentes perfis de Facebook os fãs mais ávidos numa contagem regressiva.
Foi nesse clima que chegamos na sala Salamandra no sábado 7 de Março, com a mesma cheia desde a banda de abertura, o Las Novias, banda de post-punk com pitadas de gótico que fez nome na década de noventa junto ao grupo mais famoso do território dentro do estilo, o Heroes del Silencio, uma versão espanhola de bandas como Legião Urbana e Echo and The Bunnymen. Considerando o atraso espanhol devido ao Franquismo, esse movimento chegou por aqui com uma década de atraso. Fizeram um show à altura com músicas consideradas clássicas do publico nacional como “Un León Enjaulado” e “Rosa Cruel”.
Quando menciono acima que a banda de abertura fez um bom show considerando o publico nacional, significa que era só uma parte da sala, que por outro lado estava cheia de gringos, britânicos em sua maioria que habitam na cidade Condal e o mais interessante, acompanhado de seus filhos pré-adolescentes que cantavam com autoridade os grandes clássicos da banda principal. Sim, havia chegado o momento e o New Model Army já se encontrava em ação. Abriram o set com o clássico “No Rest”, uma mensagem direta deles mesmo para o público, sem descanso, quarenta anos avisando o rumo que o mundo estava tomando e poucos deram ouvidos. Aproveitando a euforia do publico incluíram “Never Arriving” e “The Weather” do recém lançado From Here. Com “The Charge” a conexão banda e publico já estava formada, não foi preciso muito esforço para tal e que foi reforçada com “51st State” que ganhou uma versão reggae no meio da mesma. Variando um pouco e incluindo músicas da metade de carreira tivemos “Believe” e “Islands”. A grande surpresa no setlist foi “Over the Wire” e a prova real de que o New Model Army continua em alta foi a execuçãoo de “Where I Am”, uma música nova que foi cantada pelo publico do inicio ao fim, houve até uma pirâmide humana, que aqui na Catalunha se conhece como Castellers que dentre outras coisas reflete a união, força e equilíbrio, para cantar e demonstrar a Justin Sullivan que aqui estamos. Vale destacar, Sullivan deixou claro o descontentamento com o Brexit, que é muito mais grave do que muita gente pensa e o fez mencionar uma Dama de Ferro que tiveram nos anos 80 e sabemos muito bem quem foi.
Interessante também foi ver os integrantes trocando de instrumentos, o guitarrista Marshall Gill toca de tudo um pouco variando entre guitarra e baixo e algumas vezes no teclado, Dean White dá um reforço nas guitarras quando não está no teclado e o baixista Ceri Monger mantém seu estilo headbanger.
Para completar a noite ainda tivemos “Purity”, “Green and Grey”, “Stupid Questions”, “Here Comes de War” antes da banda tentar encerrar por duas vezes porém como o publico não arredava pé nos
ofereceram “Vagabonds”, “Poison Street”, “I Love The World” para então finalizarem com “Betcha”, clássica das clássicas resgatada do disco Vengeance.