#bestofzp – Cinco discos internacionais favoritos de 2019

Vocês já entenderam com o post anterior – “bestofzp – Cinco discos nacionais favoritos de 2019” – não são os melhores discos de nada, estes são cinco disquinhos que pra este editor foram destaque, por motivo X ou Y no ano que passou. E se você discorda, não há problema algum, a idéia não é uma lista de verdades absolutas, mas sim uma curadoria com dicas.
Pra mim, 2019 a alta rotação foi deles:

Ghost – Seven Inches of Satanic Panic

Eu sei, eu sei, a novela é repetida. Alice Cooper, Marilyn Manson e tantos outros brincaram da mesma forma, mas a diferença é que a bobagem criada pelo geniozinho do marketing Tobias Forge está caminhando para uma área que está deixando a coisa toda ainda mais interessante: o pop. Cada vez se levando menos a sério, cada vez mais pop e ousado nas composições, o Ghost lançou um dos lançamentos de 2019, com apenas duas faixas que atiçam a curiosidade sobre qual rumo a brincadeira irá no futuro próximo. Tanto na estética quanto no som.
Música pop, refrões maravilhosos, letras profanas, quase como um “the Killers meets Mercyful Fate”, por mais absurdo que isso pareça.
Produtos assim são importantes para agitar a industria que não se importa mais com o rock – que jamais foi feita só de música, mas muito de imagem e propaganda; isso sem contar com a qualidade de Forge como compositor, esta incontestável.

Bad Religion – Age Of Unreason

Décimo sétimo disco do Bad Religion. Precisava? Precisava.
O grande lance de “Age Of Unreason” é que ele prova que o Bad Religion continua soando relevante em 2019. Principalmente em seu conteúdo.
Dr. Greg continua escrevendo como poucos, e despeja mais um caminhão de racionalidade e argumentação em um mundo que está claramente precisando de lucidez. No som, a mescla de momentos mais hardcore punk – a abertura “Chaos From Within” ficou clássica, e outros que nos remetem a fase mais pop-90’s do grupo, como “Lose Your Head”. Entre uma e outra, canções com potencial de virarem clássicos do grupo, como “End Of History”.
Não é um clássico da discografia, mas faz justiça e mantém o nível de qualidade que a banda vem operando desde “The Process Of Belief”.
Menção honrosa para a estréia do monstro Jamie Miller em gravações de bateria com o grupo.

Bouncing Souls – Crucial Moments

Poucas bandas, mesmo fora do punk, tem um crooner como Greg Attonito como seu frontman. Sua voz tão característica, sua forma de cantar, suas ótimas melodias, tudo isso é um diferencial que salta aos ouvidos, e neste EP não é diferente.
Seis faixas que poderiam estar em qualquer um dos discos clássicos do conjunto.
Punk rock atemporal, composições enxutas e bem construídas. Não tem nada a mais nem a menos. Na medida certa de tudo.
Destaque a “Favorite Everything”, daquelas faixas que Bill Stevenson adoraria ter escrito. E isso não é pouco elogio não.

The Wildhearts – Renaissance Men

Ginger Wildheart é daqueles caras que, depois que morrer, vão aparecer montes de famosos chorando sua perda e enfim revelando o quanto ele foi influente em suas carreiras.
A frente de seus Wildhearts desde os anos 1990, quando dá na telha ou as drogas ou a doideira deixa, Ginger é mestre em criar grandes canções de rock. Refrões então, sua especialidade.
Neste disco de “reunião” dos Wildhearts temos algumas pérolas desse naipe. Se você não conhece a banda direito, ou não bota fé nesta afirmação, é só ouvir as duas faixas que abrem este novo disco: “Dislocated” e “Let ‘em Go”. Está tudo lá. Tudo mesmo. A receita do bolo de como ser rock – rock mesmo, e pop – descarado, como a velha escola ensinou, em composições com jeitão mainstream. E o pior, o cara faz disso aos montes, há anos, sem perder a mão.
Bônus stage: esse ano eles lançaram ainda um EP chamado “Diagnosis”, que é tão bom quanto o disco full. Vale ouvir. Se complementam.

PUP – Morbid Stuff

No sucessor de “The Dream is Over” (2016), a molecada do Pup segue fazendo rock alternativo com vários dos ingredientes que importam: é distorcido, dissonante quando quer, comrefrões pra cantar junto, exibe mistureba de influências, tem letras realistas, volume alto na captação, tesão e energia acima da técnica.
Um tanto mais esquisito que seu supracitado trabalho anterior, “Morbid Stuff” repete a fórmula mas adiciona elementos à sua receita. A caótica “Full Blown Meltdown” é prova disso, seguramente a faixa mais pesada da (curta) história do grupo. Mas a jóia mesmo está no “lado A” do disco: “Morbid Stuff”, “Kids”, “Free At Last”, “See You At Your Funeral” e “Scorpion Hill”. Procure os clipes dos singles do álbum também, aulas de um audiovisual-moleque de encher os olhos.
Com uma leve projeção que ganharam este ano, o grupo segue correndo por fora, excursionando como loucos, fazendo algo bem peculiar e especial que merece uma audição.