#bestofzp – Cinco discos nacionais favoritos de 2019

Desde sempre todo mundo faz listas. A de ‘melhores do ano’ é um clichê do jornalismo musical que não dá pra fugir. Todo mundo tem a(s) sua(s). Não importa o formato, elas estão lá. E aqui.

São 10 discos. Não os melhores, mas sim os que mais escutei e gostei em 2019. O que me soou relevante, amigável e agradável.

Apenas 10 álbuns que, se você não ouviu, deveria dar uma chance.

Não estão listados em ordem de preferência. São 5 nacionais e 5 internacionais.

Começaremos com cinco nacionais. Em breve chegam os internacionais.

Não concorda? Sem problemas, a web 2.0 te propicia fazer a sua lista e publica-la onde quiser.

JAIR NAVES – RENTE

O novo disco do Jair é um de seus melhores trabalhos. Mantém-se suas principais características: conteúdo forte, letras acima da média, composições bem pensadas, e uma intensidade na performance mesmo em estúdio.
De forte viés político, “Rente” não é mais do mesmo – o que já seria ótimo; é um passo a frente na obra musical de Jair e faz justiça a seu poder artístico.
Para lança-lo o músico que agora mora nos EUA veio ao Brasil e fez shows antológicos, momentos catárticos de pura visceralidade.
Um artista completo em um momento bem especial de sua rica obra.

Zumbis Do Espaço – Monstros Dominantes

O Zumbis Do Espaço conseguiu lançar em 2019 o que podemos considerar como o seu melhor álbum. Ao menos é o melhor de sua carreira desde o clássico “Aberrações Que Somos” (2002). O mistério? Não haver segredo algum. Reunir o que de melhor já fizeram em um único disco recheado de auto-referências – o que fica super evidente na faixa “Zumbis Do Espaço”, um ode da banda a si e suas referências.
Mas engana-se quem pensa que não há nada de novo. A banda não se acomoda, mesmo jogando em casa, e se arrisca musicalmente por exemplo na faixa “Boogie Do Monstro” – um funk/soul a lá Stax Records meets The Misfits; ou “Hey Juiz”, canção que poderia ser vendida como um b-side infernal da época da Jovem Guarda.
“Monstro Dominantes” é um disco de rock feito por quem gosta de rock, por quem é fã da coisa. Tem influências de punk rock 77, country music, heavy metal clássico, hardcore e aquelas citações sci-fi deliciosas.
Rock rebelde, não só no som e na postura, mas também comercialmente falando. O álbum saiu em LP, CD, CD deluxe (com um show bootleg no cd 2) e K7. Música pra quem gosta de música, não pra quem gosta de spotify e instagram.

Statues On Fire – Living In Darkness

O terceiro álbum do Statues On Fire amplificou tudo o que a banda fez – com extrema qualidade e bom gosto – nos dois discos anteriores: mais rápido, mais pesado, mais melódico, mais político.
“Living In Darkness” é um disco de hardcore completo, daqueles que nos dá orgulho de gostar do estilo. Além disso, assim como o álbum do Zumbis citado acima, é um mix muito bem resolvido de tudo o que seus integrantes ouvem, trazendo influências do melhor do hardcore, do punk rock, do thrash e do heavy metal.
“Marielle”, primeiro single a sair do disco, é das faixas mais importantes do ano. “In the land of “black nazis” / Uncultured believers, brainless voters / My land is a joke, shit hole third world / America’s toilet / Fascism in the power, middle class my ass / Totally a joke, poor cousin of the world”, diz. Já bastava, mas tem muito mais. Vá ouvir.

Apeles – Crux

O Ludovic foi uma banda bem especial dentro do nosso cenário musical. De lá saiu o supracitado Jair Naves, e também era a banda do Eduardo Praça, que aqui atende pelo vulgo de Apeles.
Eduardo também teve outra banda alternativa, o Quarto Negro, e agora chega ao segundo álbum deste atual projeto que passeia entre o dream pop e o shoegaze, ignorando completamente amarras comerciais, colocando o bom gosto e o capricho das composições acima de tudo.
Indicado para iniciados, o grande barato do Apeles é o esmero dedicado a cada uma das faixas, em suas multiplas camadas sonoras e todo o clima etéreo que a obra carrega.
Ao vivo a coisa é igualmente bem cuidada, em um show bonito e impactante.

Inocentes – Cidade Solidão

Os Inocentes não precisam mais do que cinco faixas para fazer um dos discos do ano.
Menos, muitas vezes, é mais. Boas canções, acima de tudo. Esse é o ponto aqui. São músicas muito boas, tanto as novas quanto as regravações (“Escombros”, deles mesmos; e “Terceira Guerra” do Fogo Cruzado), com uma execução no ponto – talvez a melhor performance vocal do Clemente.
Baixo, guitarra e bateria. Refrão fácil, versos bem escritos e pau na máquina instrumental. Pegada e nenhum medo de soar pop se for pra ser assim. Quem é rei nunca perde a majestade.
Saiu em 7″ e digital.