Então vamos lá Max, agora são 03:20am, e você tem algo pra contar pra galera. Comece com a notícia chocante e vamos tentando responder as duvidas que forem sugindo. Qual é a notícia?
Tivemos uma reunião hoje, e decidimos que o Envydust vai parar. Os outros quatro integrantes (Daniel, Shelka, Che e Barros) vão seguir com um novo projeto. Antes que pergunte, ninguém brigou, nem nada assim! Haha.
Parar ou acabar definitivamente? O famoso "hiato" ou fim?
Eu obviamente prefiro dizer, ou pensar, que é uma parada por tempo indeterminado. Quando as bandas "dão um tempo", sempre fica aquela expectativa de retorno. Eu vivo esperando a volta do Los Hermanos ou do Reffer, por exemplo hehe. Mas a vida é dinâmica, as pessoas e os gostos mudam, então não sei se um retorno do Envydust estará nos planos no futuro.
E obviamente, a pergunta é, por que desta parada? Qual o real motivo disso?
Eu acho que uma banda não pode ficar parada, ela tem que sempre caminhar pra algum lugar. Sempre fiquei irritado com bandas que lançam um disco igual ao outro, parece que pararam no tempo e continuam só ali repetindo a mesma fórmula. No Envydust nós sempre nos preocupamos em manter a coisa se movendo. O primeiro disco, de 2005, é bem visceral, até cru, é uma mescla de hardcore com metal. O segundo disco, de 2008, já é muito mais complexo, cheio de camadas, músicas bem densas, progressivas ao extremo, é um disco temático. Quando começamos a trabalhar no terceiro disco, novamente tivemos que decidir um rumo. O Barros, o Shelka, o Che e o Daniel estavam ouvindo muita coisa eletrônica, e estavam absorvendo cada vez mais essas influências. Estavam ouvindo também muito indie rock, coisas mais leves. Eu nunca fui muito dessa praia eletrônica, mas fui tentando absorver essa nova "fase". Foi mais ou menos nesse período que o Bjar saiu da banda, e ficamos com uma guitarra só. Continuamos ensaiando e compondo, e o rumo das coisas estava ficando mais claro: músicas cada vez mais eletrônicas, com menos peso/distorção, com o mínimo de berros do Daniel e mais fáceis de digerir (já que o disco anterior era um emaranhado de informações, uma dentro da outra).
E isso não é o que você busca musicalmente, certo?
Eu acho que tudo é um aprendizado, e qualquer experiência acaba sendo válida musicalmente. Mesmo não sendo fã de música eletrônica, eu continuei levando as coisas, primeiro por todo aquele lance de fazer um disco diferente do outro, e segundo porque realmente acredito que essas experiências nos fazem crescer como pessoas e como músicos. O tempo foi passando, até o dia que nos deparamos com o esboço de um disco. Tínhamos músicas pesadas (antigas), músicas médias (tipo "Infecta" ou "Do arranha-céu", que foram tipo uma transição), até músicas completamente leves, eletrônicas e dançantes (as mais recentes). Pra entrar no estúdio e gravar o disco, foi decidido que limaríamos as mais pesadas, porque elas destoavam muito das mais recentes. Começamos a gravar no início de abril. Fizemos bateria, baixos e guitarras, e fomos percebendo que o material era muito legal, mas destoava completamente de todo o resto da discografia do Envydust. Mesmo pra quem pensa que um disco não pode ser igual ao outro, essa era uma mudança muito grande, é como se uma nova banda tivesse se formado dentro do Envydust.
Mais dançante como Max? Meio Cine? Meio Lady Gaga? LCD Soundsystem?
Acho que dançante como Franz Ferdinand, Interpol, Foals, Justice, algo por aí. São músicas muito boas, mas que não se parecem em nada com o que o Envydust já fez antes.
E estas músicas então serão lançadas? Sob que nome? Quem vai lançar?
Foi aí que entrou a decisão difícil. Se esse disco fosse lançado como Envydust, como nós faríamos nos shows? Como tocar "O leilão do lote 77" no meio dessas músicas? Foi por isso que decidimos assumir que esse disco virou uma outra banda, assumir que ele não é um disco do Envydust. Foi decidido então que a melhor solução seria parar com o Envydust e lançar esse disco sob outro nome.
Então você assumindo que, musicalmente não é a direção que você queria, você não vai participar desta nova fase da banda que atendia antes pelo nome de Envydust?
Realmente não é o tipo de música que me move, sabe? Apesar de eu gostar muito das músicas desse disco. Como eu disse, eu realmente tentei entrar no clima, tentei absorver essas influências, mas pra mim começou a ser um processo criativo dolorido. Quer ver um exemplo? Já estamos com quase todo o instrumental gravado, mas aqui da minha parte, tudo o que eu tenho pronto são rascunhos de melodias e letras. Nada muito definido. Tanto é que eles vão começar tudo do zero, melodias e letras, nada meu vai ficar. Eu percebi que estava postergando, estava me esforçando pra me encaixar numa coisa que não estava sendo espontânea pra mim. Como diz aquela letra do Amarante: "o esforço pra lembrar é a vontade de esquecer". Parei pra pensar se todo esse martírio pra terminar essas músicas novas não podia ser, na verdade, uma vontade de não terminar elas nunca. Foi uma constatação preocupante pra mim, porque na minha opinião, a música tem que vir do coração, e as coisas não estavam fluindo naturalmente pra mim. Mas, ao mesmo tempo, eu percebia que os outros quatro, Che, Shelka, Daniel e Barros estavam muito empolgados com os novos sons, com o novo caminho, estavam realizados. Então nada mais natural do que eles seguirem com essas músicas e esse estilo diferente num novo projeto. Eles têm todo o meu apoio.
E nessa nova banda, sem você, quem vai cantar?
O Che e o Shelka cantarão. Como essa nova banda não tem berros, o Daniel ficará apenas nos eletrônicos.
Então vamos deixar tudo claro. Che, Shelka, Daniel e Barros continuam com a banda, com novo nome, e estas canções, hum, "dançantes", e o Envydust agora vira história. E você Max, vai fazer o quê?
Eu gosto muito dessa frase "e o Envydust vira história". Eu me preocupo muito com isso, manter o Envydust intacto. São dois discos, um bilhão de shows, três videoclipes, turnê européia... Eu queria que os fãs olhassem pra trás e vissem toda essa história lá, pra ser revivida um dia, como eu revivo as bandas que já acabaram. Ainda tenho planos de lançar algumas coisas pra serem somadas nessa história, como um video de making of do segundo disco, que acabou ficando guardado desde 2007, um video da turnê européia que acabou nunca saindo... Podem esperar. Agora sobre o meu destino nem eu sei ainda. É claro que não abandonarei a música, eu nem sei como alguém consegue fazer isso. Tenho mil rascunhos de músicas e rascunhos de projetos, e muito em breve solto alguma coisa, isso é certeza (me acompanhem no twitter @maxenvydust pra ficar por dentro). Sem contar outras coisas, como o teatro, onde eu canto há 4 anos e com certeza continuarei.
Há algum plano de um show de despedida da banda, algo nesse sentido?
Sim, sim, claro! Essa pergunta é muito importante. Toda a agenda de shows do Envydust será mantida, temos shows marcados até o fim de junho ou começo de julho. Tem coisas muito bacanas, como Curitiba neste fim de semana, Rio de Janeiro em junho e até um festival grande, o Sampa Music Fest. Queremos também fazer um show legal de despedida, um show longo, pra tocar todas as músicas lançadas até hoje, sabe? Vamos fechar a data e divulgar logo mais.
Então Max, finaliza ai, dá um norte pros orfãos do Envydust e já deixa aquele abraço
Eu só tenho a agradecer, são 11 anos dedicados à música, 7 como Envydust, e eu tenho certeza que temos os melhores fãs do mundo. Muito obrigado por tantas alegrias, tanto carinho e tanta dedicação nesse tempo todo, e eu digo isso em nome de nós 5. Sou e vou continuar sendo apaixonado pelo trabalho que realizamos no Envydust. Essa parada da banda é com certeza uma notícia difícil pra muita gente, mas tenham certeza que pra gente também é. A vida é feita de ciclos, e a parte boa é saber que eles se fecham pra dar lugar a outros. Muitas novidades estão chegando, vindas de mim e vindas da nova banda que meus companheiros de Envydust estão preparando pra vocês. Estejam aí pra ver tudo isso. Um grande abraço!
fotos por http://flickr.com/cah_patd/ e http://flickr.com/luma_x |